Colóquio “O Canto de Improviso como Património Imaterial: Metodologias” e Festival Internacional da Cantos Improvisados
Auditório Alcácer do Sal
©Ana Carvalho, 17 Maio 2007
No passado dia 17 de Maio, a Universidade de Évora participou no colóquio “O Canto de Improviso como Património Imaterial: Metodologias de Inventário e Processos de Salvaguarda” com uma comunicação intitulada “Aspectos técnicos e metodológicos de tratamento do património imaterial: o Projecto MEDINS”. O evento teve lugar no Auditório Municipal de Alcácer do Sal.
A par do colóquio decorreu também o Festival Internacional da Cantos Improvisados em Alcácer do Sal. A organização e coordenação cabe à Direcção Regional de Cultura do Alentejo e à Câmara Municipal de Alcácer do Sal.
“Aspectos técnicos e metodológicos de tratamento do património imaterial: o Projecto MEDINS”/“Technical and methodological aspects related to Intangible Cultural Heritage work: The MEDINS project”
Ana Carvalho
Filipe Themudo Barata
ABSTRACT: Within the framework of INTERREG programme, 20 partners of different nationalities worked together in a project with the acronym MEDINS, in the sense of safeguarding the intangible culture of their regions, avoiding the risk of disappearance of this heritage. The article aims to present the MEDINS project and its scope, specially the technical aspects. In fact, along with the development of the project, partners soon realized the difficulties of organizing the information that was being collected, taking into consideration the specificity of Intangible Cultural Heritage and the absence of reflection and even work practices in this field. Here, the objective is to reflect about the technical and methodological aspects related to Intangible Cultural Heritage work, namely the implementation of inventories from the experience obtained in the context of this project.
RESUMO: No contexto do programa INTERREG, 20 parceiros de várias nacionalidades trabalham em conjunto no projecto com o acrónimo MEDINS, no sentido de salvaguardar a cultura imaterial das suas regiões evitando, assim, o risco de desaparecimento deste património. Este artigo pretende dar a conhecer o projecto MEDINS nas suas várias dimensões, em especial os aspectos técnicos. De facto, com o desenvolvimento deste projecto, os diversos parceiros cedo perceberam as dificuldades específicas de organizar a informação que ia sendo recolhida, dada a especificidade do Património Cultural Imaterial e a falta de reflexão e até de práticas de trabalho nesta área. Aqui, pretende-se pois reflectir sobre aspectos técnicos e metodológicos ligados ao tratamento do Património Cultural Imaterial, nomeadamente, no que diz respeito à implementação de inventários a partir da experiência obtida no contexto deste projecto.
Sobre o colóquio:
A Direcção Regional de Cultura do Alentejo e o Munícipio de Alcácer do sal, preocupados com o estado actual da décima e do verso improvisado no Sul de Portugal, em particular do “Canto do Ladrão do Sado”, e no âmbito do Programa para a Salvaguarda do Património Intangível do Alentejo (PI), assumiram em conjunto a intenção de proceder à salvaguarda destas práticas poético-musicais.
Esta intenção visa não só contribuir para um melhor conhecimento destas espressões, como também desenvolver um conjunto de acções práticas que possibilitem a sua salvaguarda e promoção aos níveis local, regional, nacional e internacional. Criar uma sustentabilidade social, económica daqueles que detêm as aptidões culturais consideradas fundamentais a este programa de salvaguarda, potenciando a sua transmissão é imperativo.
Estes objectivos só poderão ser alcançados num amplo e profundo diálogo no qual os improvisadores, poetas, músicos, investigadores e outros agentes participem, procurando encontrar soluções para a continuidade destas práticas poéticas fundamentais para a permanência da diversidade cultural do Alentejo.
A diversidade e o dálogo intercultural que a décima e o verso improvisado permitem entre pessoas de diferentes regiões, diferentes países e diferentes continentes, são um exemplo profundo do diálogo de Paz que o Património Intangível da cultura dos povos pode ajudar a construir, e que a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, adoptada pela UNESCO em 2003, e já ratificada pela Assembleia da República Portuguesa, assume e reconhece.
Com o colóquio “cantos de despique”- expressão portuguesa para o verso e o canto de improviso – pretende-se abir um espaço de reflexão sobre o que é o Património Intangível e o verso improvisado, bem como discutir metodologias de inventário e estratégias de salvaguarda, dando particular atenção a um conjunto de experiências desenvolvidas no Mediterrâneo e em Portugal.
(in programa)
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Para mais informações consulte o Programa:
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